Instituto ALIANÇA

INSTITUTO ALIANÇA – Qualificando a participação

Em sua trajetória o Instituto Aliança vem construindo uma história de diálogo com o Estado, de parcerias e de ações voltadas para desenvolvimento de modelos de projetos que possam ser incorporados pela gestão pública. Trabalham com programas de formação de jovens para participação e executam ações de advocacy direcionadas para as políticas públicas de juventude.

Também integram espaços formais de debate, como os conselhos de juventude, participam de fóruns, comitês e em processos de mobilização visando áreas temáticas prioritárias, como educação e trabalho

“Atualmente o IA tem assento no CEJUVE – Conselho Estadual de Juventude (Bahia), no CONJUVE – Conselho Nacional de Juventude e no CONDRAF – Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável.”
(Plano de Ação Política, IA)

“O JAP (Juventudes e Ação Política), realizado em parceria com a CIPÓ – Comunicação Interativa, a Ágere – Cooperação em Advocacy e a Rede Sou de Atitude, foi outra experiência relevante, pois trabalhou a formação de jovens focada na participação política, que previa a ocupação de espaços institucionais de debate e o monitoramento das políticas públicas. A formação acontecia por meio de oficinas e utilizava um Guia de Monitoramento elaborado durante o processo.”
(Plano de Ação Política, IA)

E são justamente os aspectos que dizem respeito à precarização das relações dos jovens com o mundo do trabalho e sua dificuldade de acesso a serviços públicos de qualidade, como educação e saúde, que motivam a mobilização política do Instituto Aliança.

“A defasagem entre idade e série escolar é um dos maiores problemas nesta área. Segundo pesquisa recente do IPEA, cerca de 34% dos jovens de 15 a 17 anos ainda estão no ensino fundamental, quando deveriam estar cursando as séries do ensino médio. Na faixa etária de 18 a 24 anos, apenas 12% dos jovens está no nível adequado e mais de 30% já parou de estudar. Na população de 25 a 29 anos, apenas 13% continua estudando, sendo que apenas 7% chega ao nível superior. Na relação educação e trabalho é importante considerar, até 2005, apenas 17,2% dos municípios brasileiros contavam com cursos de educação técnica, sendo que um terço das matrículas centralizava-se nas capitais. No Nordeste, a oferta ocorreu em apenas 8% dos municípios, em contraposição a 26,5% no Sudeste. A Bahia, por exemplo, possui apenas oito escolas técnicas.”
(Plano de Ação Política, IA)

Tendo clareza do desafio institucional para o qual essas escolhas conduzem, o plano de ação política elaborado pelo IA e apoiado pelo edital C&T teve como objetivo “qualificar e tornar mais estratégica a ação política do Instituto Aliança e de outras entidades de apoio em prol da juventude brasileira, especialmente no campo dos direitos humanos, saúde, educação e trabalho”.

“O plano de ação política que o instituto construiu tinha duas dimensões. Uma mais interna, de fortalecimento institucional, pensando uma organização interna mais estratégica, pois nós estamos em muitos Estados, com muitos programas, então a ideia é que os debates, o posicionamento mais estratégico, fossem pulverizados nessas pontas, nesses programas. E uma dimensão mais externa, na qual a ideia era a de fortalecer a articulação entre entidades de apoio, que é a categoria na qual o instituto se insere nos conselhos de juventude.”
(Rebeca Ribas, IA)

“Dentro da nossa participação nos conselhos a gente identificava que havia, e ainda há, uma fragilidade grande nesse âmbito da articulação das entidades de apoio – entendendo entidades de apoio aquelas organizações que atuam com jovens, mas não são geridas por jovens. O fato é que nós temos muitas organizações que pouco se articulam, não têm uma visão mais estratégica da atuação no campo da juventude. Daí a ideia de ter o plano de ação como ponto de partida para que a gente pudesse contribuir com essa aproximação e com essa visão mais estratégica.”
(Rebeca Ribas, IA)

“A gente já vinha de uma primeira experiência de um edital anterior, que também tinha esse caráter de articular entidades de apoio, e mesmo assim foi muito difícil chegar ao resultado que a gente esperava. Daí que uma das estratégias para este novo edital foi a de tentar entender que dificuldade é essa, que desafio é esse que nós temos em articular essas organizações. Então, pensamos em um processo de diagnóstico que desse conta disso. Ao mesmo tempo, tínhamos todo o processo das conferências. E nós não podíamos perder a oportunidade de participar desse processo, de organizar conferências livres, de pensar em temáticas mais específicas e fazer outros debates, com outras metodologias, com outras propostas, mas também dando uma cutucada para que as organizações participacem desse processo.”
(Rebeca Ribas, IA)

Sobre a participação nesse processo das conferências de juventude, Rebeca destaca:

“(…) a nossa participação na organização de Conferências Livres e no estímulo e orientação para a realização de conferências municipais de juventude. No primeiro caso, tivemos duas experiências. Uma realizando diretamente uma conferência livre sobre juventude e participação e, a segunda, apoiando a Bumbá, que acaba de ser selecionada para o Programa Caminhos e Trilhas deste ano, numa conferência sobre juventude e cultura. Em ambos os casos, acabamos envolvendo uma turma pouco experiente na participação de conferências, o que foi muito legal para nos darmos conta o quanto elas (as conferências) ainda são inacessíveis para boa parte da população. Fizemos um esforço grande para explicar a dinâmica para os participantes, construindo uma conferência como um espaço também de formação. Acho que valeu o aprendizado para os dois lados.

Na segunda situação, nos envolvemos bastante com as conferências municipais de juventude aqui do estado (Bahia). No final foram cerca de 130. A maior parte dos municípios não havia realizado conferência de juventude e houve muita dúvida. Acredito que tivemos um papel importante tanto na orientação direta dos municípios, como na dos próprios conselheiros integrantes da Comissão Organizadora Estadual.”
(Rebeca Ribas, IA)

E para executar todas essas ações o IA contou a parceria da Cipó – Comunicação Interativa.

“Não conseguimos uma grande quantidade de organizações participando, mas as que participaram trouxeram uma qualidade no discurso e uma expectativa de criar um marco político comum, uma articulação política local.”
(Nilton Lopes, Cipó)

“Parece que ainda não é muito claro para essas organizações que participam desses espaços formais de representação, como os conselhos, a necessidade de articulação política entre elas. O que acontece é que há um desafio enorme dessas organizações em deixarem suas ações individuais para uma ação que seja estrutural, uma ação que talvez não tenha resultados no curto prazo, mas que no longo prazo gera um impacto maior, inclusive nas suas ações individuais. É o desafio de conciliar seus objetivos e missões individuais com os objetivos coletivos de uma ação política mais estruturada.”
(Nilton Lopes, Cipó)

E esse desafio de concilar objetivos organizacionais com objetivos coletivos, também foi um dilema para o IA. Um dilema que mereceu reflexão e uma tomada de posição.

“No âmbito interno, algumas coisas aconteceram durante o ano e acho que foram consequência desse pensar o plano de ação política. Lá no instituto eu sou a responsável por ocupar e circular por esses espaços de representação. Mas eu fazia isso conciliando com minha participação nos programas, no cotidiano dos projetos, onde a gente precisa dar conta, afinal é onde temos os apoiadores e também precisamos dar respostas pra eles. E eu acabava priorizando muito mais esse cotidiano que participando dos espaços de representação.

E aí, no ano passado, a gente teve uma definição sobre isso, e eu acho que o plano ajudou muito nessa definição, que foi eu sair do âmbito dos programas e poder me concentrar muito mais nessas representações. E com isso a gente conseguiu intensificar muito mais nossa atuação nos espaços, assumindo cargos que demandam tempo e disponibilidade, mostrando nosso comprometimento.

A gente vê isso acontecer muito com aqueles movimentos de origem partidária, onde as pessoas podem se dedicar e são bancadas para isso. E vê muito pouco nos movimentos surgidos das entidades de apoio, pois não temos estrutura, recursos. Mas no ano passado, essa mudança de postura foi uma definição do instituto e nós corremos atrás internamente para conseguir viabilizar esse maior envolvimento e comprometimento.”
(Rebeca Ribas, IA)

E sobre a importância da participação das entidades de apoio nesses espaços de representação, o Nilton ressalta:

“A importância da participação dessas organizações da sociedade civil nesses espaços se dá justamente na capacidade e experiência técnica dessas organizações. Assim, elas podem não só engendrar uma articulação política, um fazer político, agendando temáticas relevantes, mas também qualificando o debate sobre esses temas, pois essas organizações vem se preparando tecnicamente, desenvolvendo metodologias que podem ajudar no desenvolvimento das políticas públicas, ocupando esse lugar do profissional, do técnico, nos debates.”
(Nilton Lopes, Cipó)