Relatos da Fênix

Nós da Organização Fênix, participantes do Plano de Ação Política do CT em 2011, optamos e trabalhamos nossa Ação Política voltada para a formação (conscientização) de um grupo de 10 jovens no Município de Barueri, buscando agregar ao processo de formação dos jovens atendidos a prática da participação política, incentivando e inserindo-os nos espaços públicos do Município.

Este formato de ação se deu devido à missão a Organização e também as peculariedades do nosso Município

A cidade de Barueri, na região metropolitana de São Paulo, possui, segundo o IBGE, cerca de 253 mil habitantes, dos quais 75% têm entre 15 e 25 anos. Barueri figura na 11ª posição dentre as 200 cidades que mais geraram emprego formal no país, é a 7ª mais rica do Estado de São Paulo e alcançou o 1º lugar como a mais desenvolvida do País (segundo últimas estatísticas do FIRJAM) em desenvolvimento Municipal. Entretanto, ainda há um grande o número de jovens desempregados ou que ainda não conseguiram o primeiro emprego, quase 30% deles.

As mais evidentes causas dessa contradição são a baixa escolarização, a baixa qualidade do sistema público de educação e a falta de qualificação profissional desses jovens.

Os erros pouco aparecem devido a grande quantidade de dinheiro, más há na administração publica, falta de planejamento em vários segmentos, devido a isso há pouco questionamentos por parte da população (principalmente os mais jovens) em cobrar por problemas que desconhecem, ex: na qualidade da educação fica atrás de vários municípios da Região.

Dados de 2000 já denunciavam que a média de anos de estudo da população de Barueri era de pouco mais de 7 anos. Esses mesmos dados apontavam que somente 38% dos jovens entre 18 e 24 anos tinham concluído o ensino médio. Certamente, durante os últimos 12 anos houve uma melhora nesses números, porém não o suficiente para elevar o número de jovens empregados e evitar o fenômeno da importação de mão-de-obra de cidades próximas.

Cfe dados gerais no Brasil, apenas 50% dos jovens concluem o Ensino médio (fora os que nem entram) e apenas 10 %destes tem acesso a Cursos profissionalizantes.

É neste contexto que a Organização Fênix desenvolve suas ações, direcionando esforços para o atendimento de jovens em processos de formação e qualificação para o mundo do trabalho e geração de renda.

O plano de ação política construído pela Fênix e contemplado no edital do “Caminhos e Trilhas” agregou ao processo de formação dos jovens atendidos a prática.

Além dos encontros semanais para conscientizações, debates e sistematizações de dados, realizamos saídas para pesquisas, envolvimento com outros segmentos e participações em atos públicos e conferências.

Logo no início dos encontros do grupo, fomos ao um ato realizado na Av. Paulista no vão livre do MASP “Quebre o Silêncio” contra abuso sexual de crianças G1, para um contato direto de manifestação popular.

A intenção inicial de trabalhar juntamente com outras ONGs não foi possível, devido a questões políticas partidárias por parte das outras ONGs do mesmo segmento, também o diálogo com o poder público não foi coisa fácil.

Mesmo com as dificuldades de dialogo com os nossos colegas do terceiro setor, não desistimos e com muita garra e determinação fomos a luta. Para promover um ambiente de diversidade recrutamos jovens envolvidos com grêmios estudantis nas escolas, jovens em fase de profissionalização e também fomos atrás daqueles que se encontravam fora da escola, para juntos desenvolver uma formação múltipla e abrangente articulando com diferentes perfis de jovens.

Uma vez por uma semana nos encontrávamos com o grupo na sede da Fênix, para orientá-los sobre seus direitos e deveres, e conscientizá-los da importância da participação mais ativa nos espaços públicos.

Começamos nossas visitas pela Câmara Municipal, e percebemos que os jovens nunca haviam entrado lá, e não se identificavam com aquele espaço de participação, por desconhecer seus direitos.

Depois de conhecer o poder legislativo, iniciamos uma caminhada pelos órgãos do Executivo com objetivo de mapear os serviços oferecidos para a juventude “secretarias e conselhos”, com intuito de conhecer os programas, e colher informações para divulgação para outros jovens.

Nessa caminhada, desenvolvemos relacionamento com a Secretaria de Gabinete e Governo, através da Assessoria de Políticas Públicas para a Juventude, atuando nas ações em conjunto. Fomos convidados a participar da “Feira Estudantil UBE 2012”, numa mesa sobre órgãos de juventude na região, conseguimos espaço no Ganha Tempo Municipal para realizarmos pesquisa com jovens e desenvolver a FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) e atingimos nosso principal objetivo que foi uma comprometimento por parte da Prefeitura com a Criação do Conselho Municipal de Juventude para o ano de 2013.

Participamos através dos Conselho nas Conferências Municipais ocorridas em 2011:

-VII Conferência Municipal da Assistência Social (02/08) com tema: Avançando na Consolidação do Sistema Único de Assistência Social” com a valorização e a qualificação da gestão dos serviços, programas e benefícios e elegendo uma usuária que representou Barueri na Conferência Estadual;

-VIII Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (03/11) com Tema: Mobilizando, Implementando e monitorando a política e o plano decenal de direitos humanos de crianças e adolescentes nos Estados. No Distrito Federal e nos Municípios;

-I Conferência Municipal de Políticas para Mulheres, Tema: Construção da Igualdade, tendo como perspectiva o fortalecimento da autonomia econômica, social e cultural, para erradicação da extrema pobreza;

Participação também em palestras realizadas pela SASC (Secretaria Ações Sociais e Cidadania) com temas diversos sobre infância e juventude pelos Promotores da Vara da Infância de Barueri.

No Conselho Municipal de Políticas sobre drogas com envolvimento dos jovens nos grupos de trabalho e apresentando propostas e conquista de uma cadeira no conselho.

Para finalizar o trabalho e divulgar os dados/resultados que deveriam ser trimestrais, os jovens optaram em elaborar uma revista com os dados coletados e as experiências vividas, para distribuição a outros jovens com intuito de despertar interesse para as questões coletivas.

Para nós da Fênix foi uma surpresa, observar a maturidade desenvolvida e a criatividade em apenas um ano de trabalho, e perceber que a juventude tem capacidade só precisa ser orientada, estimulando assim o protagonismo juvenil.

Cida Marques e Beatriz Barbosa