FÊNIX

FÊNIX – Capacitando para a Mobilização

A cidade de Barueri, na região metropolitana de São Paulo, possui, segundo o IBGE, cerca de 253 mil habitantes, dos quais 75% têm entre 15 e 25 anos. Barueri figura na 11ª posição dentre as 200 cidades que mais geraram emprego formal no país, é uma das mais ricas cidades da região. Entretanto, ainda é grande o número de jovens desempregados ou que ainda não conseguiram o primeiro emprego, quase 30% deles.

As mais evidentes causas dessa contradição são a baixa escolarização, a baixa qualidade do sistema público de educação e a falta de qualificação profissional desses jovens. Dados de 2000 já denunciavam que a média de anos de estudo da população de Barueri era de pouco mais de 7 anos. Esses mesmos dados apontavam que somente 38% dos jovens entre 18 e 24 anos tinham concluído o ensino médio. Certamente, durante os últimos 12 anos houve uma melhora nesses números, porém não o suficiente para elevar o número de jovens empregados e evitar o fenômeno da importação de mão-de-obra de cidades próximas.

É neste contexto que a Organização Fênix desenvolve suas ações, direcionando esforços para o atendimento de jovens em processos de formação e qualificação para o mundo do trabalho e geração de renda.

“A relação entre as exigências de qualificações profissionais e o excedente de mão-de-obra pouco escolarizada e qualificada é um dos maiores desafios a serem enfrentados na inserção dos jovens no mundo do trabalho. Além disso, mesmo aqueles que conseguem trabalho são os mais penalizados com a precarização do trabalho, que se revela nos baixos rendimentos, altas jornadas de trabalho, instabilidade ocupacional, alta rotatividade e ausência de mecanismos de proteção social e trabalhista.

São os jovens na faixa etária de 15 a 24 anos das camadas populares os mais atingidos pelas mudanças no mundo do trabalho, pelas fragilidades do sistema educacional e os mais destituídos de apoio de redes de proteção, encontrando-se em maior estado de vulnerabilidade social.

A Fênix nasce a partir da constatação desses fatos, para desenvolver ações voltadas ao aumento da escolaridade do jovem, a qualificação profissional, a participação social, a garantia do primeiro emprego, buscando proporcionar a eles experiência profissional, além de uma política integrada de proteção social.”
(Plano de Ação Política, Fênix)

Porém, e para além do atendimento, a Fênix tem buscado inserir-se nos espaços e debates para articulação e ação políticas. Daí sua participação no C&T ser tomada como um importante momento para a organização.

“Esta formação fortaleceu nossa atuação e qualificou nossas ações de protagonistas de mudanças em nossa comunidade, houve um crescimento interno e o beneficio direto ao jovem.”
(Cida Marques, Fênix)

O plano de ação política construído pela Fênix e contemplado no edital do Caminhos e Trilhas busca agregar ao processo de formação dos jovens atendidos a prática da participação política. Assim, seu objetivo foi o de “incentivar, capacitar e inserir os jovens atendidos pela organização nos espaços públicos do município e na construção de políticas para a juventude”.
E diante dessa mudança na perspectiva de trabalho, também a instituição precisa redefinir sua forma de atuação.

“Institucionalmente identificamos o terceiro setor como agente estratégico na formulação de políticas públicas. Quando organizado, tem poder de dialogar e sugerir itens para a agenda governamental. Exemplo disso foi a parceria que desenvolvemos junto a Secretaria de Gabinete e Governo, por intermédio da Assessoria de Políticas Públicas para a Juventude, onde articulamos a criação do Conselho Municipal de Juventude para 2013.

Pessoalmente, foi para nós um processo de superação. Ver os jovens empenhados com as causas coletivas foi uma grande realização, pois somente através do protagonismo juvenil poderemos construir programas e projetos verdadeiramente adequados a este público.”
(Cida Marques, Fênix)

Um dos produtos do plano de ação foi a criação de um observatório de políticas públicas, com foco voltado para o tema juventude.

E nessa história, o grande desafio foi justamente o de se articular com outras ONGs. Mas também o diálogo com o poder público não foi coisa fácil.

“(A articulação com uma ONG que) se encontra na mesma região que a nossa não foi possível, pois a mesma, devido a questões políticas, não desenvolveu seu trabalho integralmente este ano, pois foi cortada a sua subvenção municipal.”
(Relatório do plano de ação política, Fênix)

“Com certeza, a mobilização do terceiro setor é um grande desafio, visto que muitas vezes as ONGs se fecham em seus projetos, em seus focos de atuação, e desenvolver parcerias com outras áreas é sempre um desafio.
Tivemos problemas semelhantes na atuação dos conselhos, principalmente devido às dificuldades de articulação de perspectivas e às resistências encontradas nos órgãos governamentais em aderirem a novas práticas, resistência em fornecer dados e até mesmo não terem levantamento de dados. Os projetos escolhidos e implementados não são os mais adequados para as problemáticas enfrentadas ou os mais afinados às especificidades local.”
(Cida Marques, Fênix)

Mesmo assim, os resultados do plano parecem estar valendo a pena …

“Um engajamento e trabalho direto com a Secretaria de Juventude do Município está refletindo em ações mais voltadas as necessidades da juventude, além da perspectiva da criação do Conselho Municipal de Juventude. Tivemos uma experiência de sucesso. Também articulamos parceria com a UBE – União Barueriense dos Estudantes, entidade que atua junto a mobilização estudantil junto as escolas de Barueri.”
(Beatriz Barbosa, Fênix)

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